segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cyanophrys herodotus (Fabricius, 1793), foto por: R. França

Cyanophrys herodotus, R. França, Jardim Paulista, São Paulo, SP.
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O autor, a espécie e a foto

Em foto de Renato França (47 anos, fotógrafo/publicitário), feita em 04-II-2011, temos aqui nossa décima terceira participação do público! Trata-se de um bonito close-up de Cyanophrys herodotus (Fabricius, 1793), lepidóptero da família Lycaenidae, subfamília Theclinae, feita utilizando-se uma Canon EOS T2-I (com 18m.pixels), no bairro do Jardim Paulistano, em São Paulo, SP. Para a foto, tirada aproximadamente às 13h da tarde em dia ensolarado, o autor ainda usou uma lente macro de 105 mm da marca Nikkor.

Biologia

Tirada a foto no quintal da própria casa do autor, vemos a borboleta sobre o buquê de flores (inflorescência) do arbusto Lantana camara L., uma planta da família Verbenaceae, uma das principais fontes de alimento para a grande maioria das borboletas nectívoras. C. herodotus (Fabricius, 1793), espécie incomum que gosta de voar em locais ensolarados (heliófila) geralmente em topos de morros ou pequenas colinas. Pode ser encontrada nas fronteiras entre as cidades e as florestas (semiurbana), mas está presente comumente nas regiões de florestas secundárias e primárias. Assim sendo, na periferia das cidades, campos ou florestas pode ser vista frequentemente em flores ou inflorescências nas clareiras em elevações do terreno. Seu voo é irregular descrevendo várias mudanças de nível.

Lagartas, como grande maioria dos Lycaenidae: têm corpo vermiforme, são lisas, vivem isoladamente e se empupam sobre as folhas. São polífogas alimentam-se de diversas flores (Brown, 1992), como por exemplos: Schefflera macrocarpum, uma planta da família Araliaceae (Diniz & Moraes, 2002), ou de Magnifica indica, uma Anacardiaceae (Silva et al, 1967-68). Também podem se alimentar de folhas de plantas da família Rubiaceae, como por exemplo, Chomelia ribesioides (Diniz & Moraes, 2002).
A. Soares

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Temenis laothoe bahiana Fruhstorfer, 1907, foto por: J. Bizarro

Temphis laothoe bahiana, J. Bizarro, Rev. Eco. do Guapiaçu, Cach. de Macacu, RJ.
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O autor, a espécie e a foto

Em foto de Jorge Bizarro (50 anos, médico/entomólogo), feita em 22-III-2011, temos aqui nossa décima segunda do público! Trata-se de uma ótima foto de Temenis laothoe bahiana Fruhstorfer, 1907, lepidóptero da família Nymphalidae, subfamília Biblidinae, capturada através de uma Sony Cyber-shot DSC-W310 (com 12.1m.pixels), na Reserva Ecológica do Guapiaçu (REGUA), em Cachoeiras de Macacu, RJ. A foto capturada em uma tarde ensolarada, aproximadamente às 14h30min, utilizando-se a lente padrão da máquina.

Biologia

Nesta foto feita nas proximidades de sede da REGUA (Fazenda São José), vemos a borboleta pousada, no gibatão ou aroierão, Astronium graveolens Jacq., planta da família Anacardiaceae e madeira de lei utilizada industria madeireira desde a fabricação de moirões até móveis. T. laothoe bahiana Fruhstorfer, 1907, espécie comum, pode ser observada tanto nas áreas sombreadas (umbrófila) das florestas como também nas abertas (heliófilas), onde sua preferência está nas bordas de trilhas e clareiras. Seu voo é rápido, mas não dos mais velozes. É encontrada em matas com florestas secundárias ou primárias. Sendo um lepidóptero que se alimenta do sumo das frutas maduras prefere voar em regiões onde exista grande número de árvores frutíferas. É uma borboleta que muito facilmente comparece em iscas feitas com uma mistura de caldo-de-cana e frutos maduros, daí ser mais uma espécie, na qual o uso de atrativos se torna uma boa tática para se fotografá-la.

Suas lagartas são verdes no dorso do corpo com regiões transversais negras onde estão situados espinhos ramificados. Na lateral é de cor amarronzada. Sua cabeça é negra e exibe um par de cornos negros projetados para frente e com ramificações. Apresentam hábitos noturnos. Alimentam-se preferencialmente de um cipó denominado timbó, Serjania laurotteana Cambess (Dias et al, 2011), planta da família Sapindaceae.
A. Soares & J. Bizarro

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Detalhando o visual dos lepidópteros 01: o corpo

Visão dorsal do corpo de uma borboleta, esquema por: L. A. Costa.
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Legenda 1
A- CABEÇA:
1- Aparelho bucal, espirotromba; 2- Antena (*); 3- Ocelo (*); 4- Olho composto (*).
B- TÓRAX:
1- Protórax; 2- Mesotórax; 3- Metatórax; 4- Base da asa anterior (*); 5- Base da asa posterior (*); 6- Perna anterior (*); 7- Perna mediana (*); 8- Perna posterior (*); 9- Tégula (*).
C- ABDÔMEN.
(*) Sendo o corpo dos lepidópteros composto de duas faces equivalentes (simetria bilateral), todas as estruturas assinaladas existem aos pares, estando suas correspondentes no lado oposto do corpo.

Introdução

Não é nossa intenção apresentar aqui de modo acadêmico a morfologia externa de um lepidóptero. Todavia, achamos que um pequeno resumo seria muito bom, pois além de enriquecer os conhecimentos dos colegas lepidopterófilos, torna-os mais aptos para explorar fotograficamente, não só o inseto como um todo, como também suas peças anatômicas que têm um incrível potencial fotográfico, podendo ser tão belas quanto o próprio inseto. Assim, para ajudar no melhor modo de se reconhecer e distinguir as incríveis e belas partes de uma borboleta ou mariposa (como, por exemplo: as antenas, as asas e os olhos), passamos a apresentar aqui série básica de artigos sobre a morfologia externa dos lepidópteros.

Visão lateral do corpo de uma borboleta, esquema por: L. A. Costa.
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Legenda 2
A- CABEÇA:
1- Aparelho bucal, espirotromba; 2- Antena (*); 3- Ocelo, saliência atrás do olho composto (*); 4- Olho composto (*); 5- Palpo labial (*).
B- TÓRAX:
1- Protórax; 2- Mesotórax; 3- Metatórax; 4- Base da asa anterior (*); 5- Base da asa posterior (*); 6- Perna anterior (*); 7- Perna mediana (*); 8- Perna posterior (*).
C- ABDÔMEN:
1- Abertura respiratória, espiráculo (**); 2- Armadura externa do aparelho reprodutor.
(*) Sendo o corpo dos lepidópteros composto de duas faces equivalentes (simetria bilateral), todas as estruturas assinaladas existem aos pares, estando suas correspondentes no lado oposto do corpo.
(**) As estruturas assinaladas existem aos pares em cada segmento abdominal, onde se encontram figuradas.

O corpo

O corpo de um lepidóptero tem grande parte da sua superfície revestida por um esqueleto externo constituído de placas quitina (substância química que compõe o exoesqueleto dos insetos). Também possui outras áreas, muito menos quitinizadas e mais membranosas. É dividido em três partes: cabeça, tórax e abdômen.
A cabeça é a menor porção do corpo, não apresenta placas subdivisoras e tem basicamente estruturas aos pares, sendo os mais relevantes: as antenas, os olhos compostos, os ocelos (não são facilmente visualizados) e todo um complexo de pares de peças bucais onde se destaca a probóscide (espirotromba), que é uma modificação, pós-metamorfose, do par de maxilas das lagartas. Tal complexo será melhor abordado posteriormente no artigo sobre a cabeça.
O tórax está na parte intermediaria do corpo. É uma porção mais rígida e robusta do corpo, pois é revestido por fortes placas esqueléticas, que se dividem setorizando o tórax. Daí ele ser subdividido em: pró, meso e metatórax. Nele também estão localizados os apêndices locomotores do inseto, que são: três pares de pernas e dois pares de asas. Há ainda de relevante uma proteção na base das asas anteriores (primeiro par), chamada tégula e dois pares de aberturas respiratórias (estigmas ou espiráculos) que são de difícil visualização. Estes apêndices e estruturas serão também posteriormente abordados no artigo sobre o tórax.
Por fim, temos o abdômen à parte mais alongada que é composta de onze segmentos, dos quais oito são visíveis, sendo que, conforme a espécie existe de 6 a 8 pares de aberturas respiratórias, dispostas uma de cada lado do corpo. Os segmentos têm forma anelar conferindo um aspecto tubular ao abdômen, a exceção dos últimos, mais extremos, que são diferenciados de modo a formar a armadura externa do aparelho reprodutor (genitália) e o ânus, que futuramente serão abordados em artigo sobre o abdômen.
A. Soares

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Catonephele sabrina (Hewitson, 1852), foto por: J. Caloi

Catonephele sabrina, J. Caloi, em Pedra Grande, Atibaia, SP.
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O autor, a espécie e a foto

Em foto de Juliana Caloi (35 anos, arquiteta), feita em 12-II-2011, temos aqui nossa décima primeira participação do público! Trata-se de um belo close-up de Catonephele sabrina (Hewitson, 1852), lepidóptero da família Nymphalidae, subfamília Biblidinae, fotografada através de uma Canon EOS T2-I (com 18m.pixels), na região de Pedra Grande, em Atibaia, SP. A foto foi feita em um final de manhã ensolarado, aproximadamente às 12h. A autora ainda usou uma lente macro de 105 mm da marca Nikkor.

Biologia

Tirada a foto nas matas das cercanias de Pedra Grande, vemos a borboleta pousada sobre a folhagem. Na Mata Atlântica, C. sabrina (Hewitson, 1852), é uma espécie mais incomum que as outras espécies, desse mesmo gênero, neste bioma: C. numilia penthia (Hewitson, 1852) e C. acontius caeruleus Jenkins, 1985.  Apesar disso, na região de Pedra Grande parece haver uma população abundante sendo vista com mais freqüência do que em outras regiões. A preferência por locais de vôo é vinculada a sítios onde existem frutos maduros caídos ao solo, seu alimento. Os machos também podem ser encontrados no solo em praias de rio e poças d’água, bebendo água e sais. É uma espécie que vive em áreas silvestres estando presente nas matas primárias bem como nas secundárias. Seu voo é rápido. É uma borboleta onde há uma clara diferença entre a coloração do macho e a da fêmea (dimorfismo sexual). Com relação a cores ostentadas pela fêmea ainda há uma curiosidade muito interessante: ela é muito parecida com a fêmea de uma outra espécie de borboleta, Heliconius besckei Menetries, 1857 (Brown, 1992), sendo um bom exemplo de mimetismo.

É difícil precisar detalhes sobre a lagarta de C. sabrina (Hewitson, 1852), pois é pouco conhecida. Todavia, outras espécies representantes do gênero apresentam imaturos onde a coloração e predominantemente verde com espinhos ramificados no corpo. As cabeças freqüentemente têm cores alaranjadas apresentando dois cornos negros ramificados. Vivem nas copas das árvores e têm hábitos solitários. Alimentam-se de diversos tipos de plantas da família Euphorbiaceae, possivelmente dos gêneros Alchornea e Dalechampia.
A. Soares

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mechanitis polymnia casabranca Haensch, 1905, foto por: R. Penalva

Mechanitis polymnia casabranca, R. Penalva, Encontro das Águas, Lauro de Freitas, BA.
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O autor, a espécie e a foto

Em foto de Ruy Penalva (60 anos, médico/empresário), feita em 01-VIII-2004, temos aqui nossa décima participação do público! Trata-se de uma bela foto de Mechanitis polymnia casabranca Haensch, 1905, lepidóptero da família Nymphalidae, subfamília Ithomiinae, tirada através de uma Canon EOS10D (com 6.3m.pixels), na localidade de Encontro das Águas, em Lauro de Freitas, BA. Nessa foto, capturada possivelmente em uma manhã de um dia parcialmente nublado, o autor usou uma lente Canon EF 75-300 I. A “chapa” ainda foi tomada com flash, abertura de diafragma f/5.6 e velocidade de 1/60.

Biologia

Tirada a foto no quintal da residência do autor ela mostra a borboleta em repouso sobre um ramo em local com muita sombra sob as folhas do sansão do campo Mimosa caesalpineaefolia Benth, uma planta da família Mimosoideae, antiga Leguminosae. M. polymnia casabranca Haensch, 1905, espécie comuníssima e que gosta de voar em locais sombreados (umbrófilos) é também encontrada nas bordas entre cidades e as áreas de matas (semiurbana). No ambiente de florestas, está presente seja ele de matas secundárias ou primárias. Tem população abundante, sendo um lepidóptero dos mais observados em ambos os tipos de florestas. Possui, não só um voo lentíssimo como também uma reação vagarosa a ataques, pois sendo uma espécie de gosto ruim (impalatável) para seus predadores, não necessita ser veloz ou ágil.

As lagartas têm o corpo com listras amarelas e verdes acinzentadas com um par de processos de espinhosos laterais (não ramificados) por segmentos, na cor creme amarelada. Ainda há um ponto negro na base dos espinhos. Seus hábitos são diurnos e gregários. Alimentam-se de diversos tipos de plantas da família Solanaceae (Otero & Marigo, 1992), podendo, por exemplo, comer Solanum tabacifolium Vell., a jurubeba.
A. Soares

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Memphis leonida editha (W. P. Comstock, 1961), foto por: J. Bizarro

Memphis leonida editha, J. Bizarro, Rev. Eco. do Guapiaçu, Cach. de Macacu, RJ.
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O autor, a espécie e a foto

Em foto de Jorge Bizarro (50 anos, médico/entomólogo), feita em 22-III-2011, temos aqui nossa nona participação do público! Trata-se de uma foto muito bonita de Memphis leonida editha (W. P. Comstock, 1961), lepidóptero da família Nymphalidae, subfamília Charaxinae, capturada através de uma Sony Cyber-shot DSC-W310 (com 12.1m.pixels), na Reserva Ecológica do Guapiaçu (REGUA), em Cachoeiras de Macacu, RJ. Foto tomada em um início de uma tarde ensolarada, aproximadamente às 13h45min, utilizando-se a lente padrão da máquina.

Biologia

Nesta foto capturada nas proximidades de sede da REGUA (Fazenda São José), vemos a borboleta pousada, em um tronco. M. leonida editha (W. P. Comstock, 1961), espécie comum, porém difícil de ser observada, está presente mais frequentemente na sombreada (umbrófila) das florestas, mas pode ser também avistada cruzando velozmente áreas ensolaradas (heliófilas). É encontrada em matas com florestas secundárias ou primárias. Seu vôo, como de todos os lepidópteros da subfamília Charaxinae é muito rápido e normalmente alto. Gosta de ficar próximo da região das copas das árvores. Por estas duas características torna-se difícil o seu avistamento e, consequentemente, a fotografia. Alimenta-se do sumo das frutas maduras caídas no chão das florestas.  Boa tática para se fotografar esta espécie é se utilizar de frutas maduras para atraí-la mais próxima do nível do solo.

Suas lagartas, verdes com tufos marrons ao longo do corpo, se camuflam muito bem no substrato onde vivem. Apresentam hábitos diurnos. Alimentam-se do guaritá, Astronium graveolens Jacq., planta da família Anacardeaceae.
A. Soares & J. Bizarro

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Anartia jatrophae jatrophae (Linnaeus, 1763), foto por: A. Soares

Anartia jatrophae jatrophae, A. Soares, Rev. Eco. do Guapiaçu, Cach. de Macacu, RJ.
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O autor, a espécie e a foto

Em foto de Alexandre Soares (52 anos, biólogo), feita em 25-III-2011, temos aqui nossa oitava participação do público! Trata-se de mais uma boa imagem de Anatia jatrophae jatrophae (Linnaeus, 1763), lepidóptero da família Nymphalidae, subfamília Nymphalinae, capturada através de uma Sony Cyber-shot DSC-W330 (com 14.1m.pixels), na Reserva Ecológica do Guapiaçu (REGUA), em Cachoeiras de Macacu, RJ. A foto foi tirada no meio de uma manhã parcialmente nublada, aproximadamente às 10h:30min, utilizando-se a lente padrão da máquina.

Biologia

Em mais uma foto, feita na área dos banhados da REGUA, vemos a borboleta pousada se alimentando em flores silvestres de uma planta herbácia não identificada. A. j. jatrophae (Linnaeus, 1763), espécie comuníssima e extremamente abundante vive em qualquer área ensolarada (heliófila). É tão comum e resistente as mudanças do ambiente que é possível vê-la até nos centro urbanos das cidades. Seu grau de adaptação ao homem é tão grande que, por vezes, é possível ver tal borboleta sobrevoando as bordas de canteiros de obras onde normalmente florescem pequenos buquês de flores! Ao contrário do observado nas áreas urbanas, semi-urbanas ou florestas secundárias, é menos abundante nas regiões de matas primárias. Seu voo é normalmente lento pairando, lento e sempre buscando pelas flores ou buquês (inflorescências). Também costuma pousar no chão.

Suas lagartas são negras e têm os corpos cobertos de processos espinhosos e ramificados. Tais espinhos, também negros, têm sua base na cor branco/amarelada. Sua cabeça, negra, possui um par de espinhos maiores, porém menos ramificados que os espinhos do corpo. Têm hábitos noturnos e se alimentam de várias plantas das famílias botânicas: Acanthaeceae e Verbenaceae (Brown 1992).
A. Soares